segunda-feira, 22 de maio de 2017

Garden

Winter's hard to rhyme
We're prisoners in some icy pantomime
Just waiting for the wind to change his mind
And sing us green
April starts to whisper to the trees
I hoe and you plant the trees
Canterbury Bells begin to ring
The sparrows are stealing string
Hollycocks and foxglove to the knee
Now life's a major key
We've got mud between our toes
This is how the garden grows
Midnight in July
We see the season spread across the sky
We wake up to a nosy dragonfly
Against the screen
You just love to bite me where it shows
You kiss me
Then hide my clothes
Running through the sprinklers nearly raw
We've just disproved Newton's law
How can I break even with the weeds
In love so beyond my needs
Blossoms on you Mama's rose
This is how the garden grows
Lyrics: Michael Franks, "How the garden grows"
Paiting: Monet

quinta-feira, 18 de maio de 2017

À mesa

(...)
Quero a minha mesa macerada, peculiar
A toalha manchada de nódoas de vinho vertidas
Dos copos de Beaudelaires e Kafkas,
De Pessoas, Modiglianis e Rodins
Vindimando-me as manhãs!
Heterónimos de novas letras,
Cachos encorpados de musas,
Parras, uvas, viúvas,
Destilando capitosos raciocínios,
Decantando a ponta dos galhardetes,
Engaços na curva macia de um prato de farfalle.
Quero o peito fermentado de abraços,
A casta risonha de artesãos licorosos
Que não esqueço, que agarro e adormeço,
Quando o dia rompe como lacre,
De mortos sempre longos na minha boca.
A travessa molhante, matando a fome à sede,
Alimentando, em provas cegas, ideias, puras
Iguarias.
(...)

(Vera de Vilhena, excerto adaptado in «Fora do Mundo», Poética Edições, 2014)

Imagem: «Hipp Hipp Hurra!», Peder Severin Krøyer (Noruega-Dinamarca, 1851-1909)

quarta-feira, 17 de maio de 2017

A culpa


«Um menino rico num colégio privado, a promessa de vida fácil. Um rapaz tornado marginal, desconexo, e de repente era vê-lo a ganhar um outro estatuto, a representar outra coisa. Já não era “O Guilherme”, era sim “O Guilherme que se matou”. Para sempre adicionado aquele cognome, aquele peso enorme, aquela sombra de ocaso, distendida à luz do poente, a agigantá-lo, a torná-lo imenso, maior do que todos nós. Não, já não era ele e a sua vida inconsequente, era alguém que fizera a mais exótica e misteriosa das viagens, para ir ter com o Nada, e nos deixara engasgados de arrependimento, com todos os insultos que largáramos sobre ele, no início do ano lectivo, até o aceitarmos. E ele a escrever na carta que ali, no grupo de teatro, fora feliz. E eu a pensar quão infeliz se pode ser, em surdina. Enganou-nos bem. Um actor de primeira, no palco da escola. Uma lição extracurricular.
Não parecia verdade, aquela notícia:
− O Guilherme morreu, matou-se…
Não, não podia ser, ninguém morre assim, com quinze anos. Ninguém escolhe morrer sem ter vivido. 
Mas era vê-lo ali, no caixão, na Igreja da Madre Deus, sem deixar que fosse boato. Lenço de linho sobre a cara, por causa dos efeitos do tiro que os não-sei-quantos que tratam dos mortos não conseguiram disfarçar. Ou então não estava assim tão mal, mas a família não quis mostrar. Afinal, ele até era feio, dificilmente estaria melhor depois de morto. É crueldade, eu sei, era assim que o tratávamos, isto foi só para recordar a nossa imbecilidade. Idade imbecil. E na capela da igreja a Mãe em choque:
− O caixão é muito pequeno! Eu avisei que o caixão era pequeno, ele ainda está a crescer!
E o marido a agarrá-la, e a irmã mais velha a chorar, e as nossas colegas de turma também, todas a chorar por ele e por nós, a culpa escorrendo pelo rosto abaixo. E a Mãe junto dele, a indicar o comprimento das calças cinzentas:
− Olhem para isto, vêem? Estão curtas, vai ter frio! Vai fazer má figura quando chegar ao céu...»

(Vera de Vilhena, excerto do próximo livro)

Photo credits: Dave King

domingo, 14 de maio de 2017

Se um dia

Esta noite sonhei que milhões de portugueses se mantinham colados às televisões do mundo inteiro, aonde quer que vivesse um português, mas não era para ver futebol. Nem desastres. Nem eleições. Sonhei que andavam há semanas, imagine-se!, dançando ao som da mesma valsa ad libitum, enamorados por uma voz, o condão de ser pura em cada verso, cantando por todos nós, salvando-nos, como se os corações do mundo se fossem quebrar em dois, a qualquer instante, transformados em cristal, a respiração em suspenso, o braço dado - Só mais uma volta, não caias, salva-nos! -, rogando-lhe que entregasse todas as palavras aninhadas assim, na ternura das cordas, e num piano conduzindo a melodia de veludo que ninguém consegue abandonar. As salvas de palmas e os votos, neste meu sonho, foram para aquela que era a poesia cantando o amor, e o país inteiro, a Europa e o mundo, todos se rendiam, no meu sonho, à súplica de um mendigo com voz de frágil pássaro, flautista de Hämelin seduzindo e levando consigo todos aqueles capazes de amar pelos dois.
E ainda não tinha acordado, eu, quando a valsa dos irmãos, que todos unia numa prece sem Deus, avançava e subia até à dimensão da esperança, infiltrando-se, camada por camada, na pele de quem por ela se deixava adormecer, para sonhar também. E uma voz dentro de mim dizia:
-  Seria tão bom, tão bom que um dia fosse possível, a um poema simples, inteiro, sem demasias, vencer...! Ser escutado com o coração e a mente, deixando para trás o fogo de artifício, ganhando a todos, até aos de valor, a dar peso à nossa conquista...!
Na lenda que o meu sonho ia tecendo, a feiticeira criadora nunca deixava cair o duende da floresta, imerso no seu cântico enfeitiçado:
- "Cuida das palavras, meu irmão, não te distraias, não te percas no caminho, repara que despertámos as pedras e encantámos as fadas, vamos embalar o seu espanto e mostrar que é possível dizer tudo na penumbra de um beijo".
Foi então que acordei. As nossas pessoas, milhões de gente, de muitas línguas, ainda traziam os lenços e os olhos molhados, o vinho e o champanhe nos copos, as vozes roucas e o coração cheio. À luz lilás do amanhecer, pequenas gotas de orvalho eram resquícios da festa. No ar o cheiro morno da felicidade.
Despertei e fui dar de frente com um sonho acontecido.
Se um dia alguém perguntar por nós, digam que nos fomos salvar.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Serão

A meta de um novo livro parece fugir, à medida que vou correndo para o fim. A afastar o sopro do desalento tenho os cães a meus pés, e a chuva caindo com violência, batendo na vidraça do meu escritório, como quem grita, Avança e não te atormentes mais. Stacey Kent canta aos meus ouvidos com um sorriso infantil na voz, La Vénus du Mélo, indiferente ao meu cansaço. Quando a chuva se interrompe revela uma lua gorda, vestida de noite, a bainha uma fileira de luzes trémulas, cor de mel, os torreões da basílica são borbotos de uma saia de lã, picando o céu azul-cobalto. E eis que chegam os violinos de La Javanaise, a evocar, no timbre doce de Madeleine Peyroux, a valsa de Luísa e Salvador Sobral, que tem o País quase inteiro de si enamorado, agarrado pelo coração,  amando pelos dois.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Na fronteira


Ninguém na minha família, que me lembre ou saiba, passou verdadeira fome. As gerações anteriores, aliás, viveram com um luxo considerável. Nasci em 1969, andava pelos cinco anos de idade quando se deu a Revolução. Não percebi nada mas, à medida que os anos foram passando, a minha vida foi sofrendo transformações. Nas estantes de casa havia de tudo, muitas das obras em francês, de autores que fizeram escola e marcaram uma época, como os filósofos Sartre e Simone de Beauvoir, os escritores Alves Redol, Fernando Namora, José Cardoso Pires. Na aparelhagem «Sharp» escutavam-se vozes francesas que cantavam o inconformismo, como Léo Ferré, mas tudo isso constituía, a meus olhos, uma extravagância, uma incongruente solidariedade para com um universo longínquo. Não éramos vítimas do Estado Novo, no máximo uma chamada de atenção num café, por parte de um agente da PIDE, como quem diz, não se expanda muito, se não quer problemas.
Na nossa casa havia um cinzeiro encarnado de metal, com o símbolo do PS, o punho fechado. E nos álbuns de fotografias páginas e páginas com a multidão nas ruas, no 1º de Maio, a minha mãe encostada a um Jeep da GNR, de cravo metido na casa de um botão do dufflecoat beje, de pura lã virgem, com etiqueta da marca francesa «Delfieu», com loja situada em Arroios. Lembro-me dos lenços de seda que vinham de Paris, de todos os requintes que se foram esfumando, enquanto se derramavam os anos feitos de liberdade. Depois entrámos na Europa, já não era preciso trabalhar os campos, todos podiam ser doutores. Subiu o número de carros de luxo a circular nas ruas, subiram os empréstimos, o consumo disparou. Já ninguém cose os buracos das meias com um ovo de madeira. Já ninguém manda arranjar um pequeno electrodoméstico. Compra-se outro. É barato. Já não é preciso ir de férias à terrinha, nas muitas estradas macias que tem agora este pequeno Portugal, não queremos que vos falte nada, assim que nos deixarem salta um TGV, e podemos hoje ir a Paris, a Roma, a Veneza, a Barcelona, sem precisarmos de levar passaporte nem nada, só os cartões de crédito e os telemóveis com as nossas câmaras sofisticadas, para as selfies, e mostrarmos no facebook que vivemos imenso. Depois há a realidade. O crédito mal parado, o desemprego, o podermos refilar à vontade sem que, na verdade, de pouco sirva para quebrarmos a corrupção e o aproveitamento, a incompetência e o oportunismo de tantos, em lugares de poder. Agora os pobres e os endividados espalham-se por todas as classes. É uma pobreza democrática.
Até hoje tenho sentimentos de contradição, encontro-me na fronteira de Abril, sem saber bem o que fazer com estes cravos que me deram. Mais me parecem rosas perfumadas e coloridas, onde vamos ferindo os dedos.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Rogério Charraz

É um alívio, isto, lembrar que nem tudo neste país é um banho de mau gosto.
Música: Rogério Charraz
Letra: Pedro Branco

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Consolo


Há factos absurdos que nos mostram a face quase aleatória do mundo. Ao mesmo tempo que nos relembram a importância da modéstia, dão consolo e esperança, a quem procura uma oportunidade. Sobretudo, gritam, a quem desespera por tanto esperar: não desistir, não baixar os braços.

Walt Disney foi demitido de um jornal, por não ser criativo nem ter boas ideias. 
Os Beatles não tiveram hipótese com a Decca Records, por "having no future in the show business"
Einstein foi expulso da escola, por ser "mentalmente lento".

Na literatura:

«Lolita», de Nabokov: «Esmagadoramente nauseante, mesmo para uma freudiana iluminada. A coisa toda é um cruzamento de incerteza entre a realidade hedionda e a fantasia improvável. Muitas vezes torna-se um devaneio neurótico selvagem. Eu recomendo que ele seja enterrado sob uma pedra durante mil anos».

«O Deus das Moscas», de William Golding, foi rejeitado por 20 editoras.

«E Tudo o Vento Levou», de Margaret Mitchell - rejeitado 38 vezes.

«O Diário de Anne Frank» - rejeitado 15 vezes.

«Mulherzinhas», de Louisa May Alcott - a editora recomendou à autora que se dedicasse apenas ao ensino.

Beatrix Potter viu o seu «Peter Rabbit» recusado 69 vezes (!!!). Acabou por fazer uma edição de autor modesta, a preto e branco, de apenas 250 exemplares. Um amigo da família, Canon Hardwicke Rawnsley, ajudou-a a rever a história e mudou-a de prosa para verso. Foi ele que distribuiu cópias do livro por editoras de Londres e uma delas, a Frederick Warne & Co, que já tinha rejeitado as histórias de Beatrix, decidiu publicar o que apelidou de "livro dos coelhinhos". O livrinho saiu no dia 2 de Outubro de 1902 e teve um enorme sucesso, vendendo 20 000 cópias até ao Natal desse ano. A partir daí, surgiram novas histórias, personagens e livros. Miss Potter tornou-se na autora de livros infantis mais vendida de sempre.

Após receber várias negativas de diversas editoras, E. E. Cummings escreveu o livro «No Thanks», nomeando todos os editores que lhe negaram publicação.

«Dune», de Frank Herbert, um dos maiores clássicos da ficção científica, foi rejeitado 23 vezes.

Após ser rejeitada por 6 editoras, com o seu primeiro livro («O Misterioso Caso de Styles», Agatha Christie teve de aguardar 4 anos, até ter o seu primeiro livro publicado.

James Joyce, o autor de «Ulisses», foi rejeitado 22 vezes.

E a minha «nega» preferida:
«Harry Potter e a Pedra Filosofal», de J. K. Rowling
Rowling foi rejeitada 12 vezes e ainda recebeu um insulto de um dos editores, ao recomendar que a escritora “não perdesse nem mais um dia de trabalho”.
Carta dirigida a J. Steinbeck







sábado, 15 de abril de 2017

Sintonia

Fairy Lights:

Resistir ao caminho mais fácil, que nunca é o melhor. Ainda que seja tentação em nós. Escrever, cortar, reescrever, fugir das palavras rasteiras, até que, frase em frase, tenhamos conseguido a sintonia entre o pensamento e a mão. Essa comunicação é das metas mais difíceis de conquistar, impedir que, algures no caminho, a ideia pura se transforme num pálido reflexo.

terça-feira, 28 de março de 2017

Perdoa-me

© Brooke Shaden, "Moving in"
De tão abandonado, o meu blog já não reconhece a própria dona, lança-me com aquela barra de aviso de cookies, onde temos de clicar em "entendi". Cliquei. E compreendi-te, blogue, transformei-me numa estranha, num visitante como qualquer outro, talvez alguns deles te sejam até menos estranhos do que eu. E se te prometer maior fidelidade, perdoas-me? Se eu vier visitar-te e acrescentar-te, se não como antes, pelo menos com maior dignidade, dás-me perdão?
Nem desculpa tenho para esta indiferença, tem sido apenas isso, indiferença, inércia, a sensação de nada ter que  valha a pena ser dito. Vazia de ideias, despejada de palavras, o que sempre acontece quando estou preste a terminar um livro. Isso zanga-te, sente o ciúme virtual, tu, uma espécie de casamento, de relação idealmente constante, regular, ultrapassada pela paixão de uma relação inédita e repentina, que urge satisfazer, de capricho em capricho, num impulso egoísta.
Em breve irei apresentar-te esta espécie de amante de folhas, juntarei aqui, pelo menos, o seu rosto. Até lá, paciência, meu amigo, é apenas isso, o silêncio e o capricho de um novo livro.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Algo mais

© Brooke Shaden Photography
Sem mal sair de casa durante semanas, cuidando obsessivamente destas paredes e de tudo o que elas albergam, cúmplice de uma prisão que eu própria vou cinzelando, pasmo perante o sentimento de apatia quanto aos meus projectos sem alicerces, e de cujo propósito desconfio. A pergunta que apresento ao futuro - para quê? - não me traz resposta. E falta-me a paciência a que a espera obriga. Não apetece a desilusão, o desmoronamento da esperança, o eterno retorno ao optimismo, à desvalorização da vitória, à celebração do quase nada que vou conquistando, mera defesa dos fracassados. Provavelmente é apenas a falta de sol, de calor, de rua, de gente, a arrefecer-me a vontade e o ânimo. É urgente acender uma fogueira em mim, alimentá-la com algo mais do que a cinza de alguns sonhos.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Novo ano

Já que não me é dado salvar para todos nós o mundo, que parece cada vez mais sem salvação, tento salvar o meu. Os dias decorrem enquanto faço por cumprir algumas resoluções mais ou menos íntimas. Das menos, procuro recuperar a dignidade da casa, dar-lhe várias horas do meu dia, e tempo é um privilégio de que disponho, nesta carruagem sem carris. Quanto ao frágil corpo, vou tentando devolver-lhe algum recorte, regressar às caminhadas que, além de tostarem ao longo da estrada os excessos ingeridos por culpa do frio e da gula, possuem o benefício de servir de terapia e desbloqueio. A preguiça parece ter-se afastado, dando tréguas à culpa. Só falta o corpo ser capaz de acompanhar a nova disposição.
O trabalho continua a cair-me no colo e só posso sentir gratidão. Trabalhar é urgente. Pagar as contas, construir uma pequena estufa de ervas aromáticas, plantar novas petúnias nas floreiras vazias, trabalhar, trabalhar, a fim de conquistar o milagre de sobrar alguma coisa, tempo e moedas para que possamos fazer algo mais do que trabalhar. Dar fim ao próximo livro. Apreciar o alívio que isso traz. Falta-me a batuta para reger as horas, chegar ao final do dia com o condão da escrita por derramar. Para já, o tempo faz batota comigo, finta-me, prepara as suas armadilhas. Mas hei-de domá-lo, subjugá-lo à minha vontade, hei-de ser maestrina dessa orquestra composta por semanas, dias, horas, minutos, como partituras de um calendário.

domingo, 18 de dezembro de 2016

Então e o blogue?

E o blogue, Vera? Não tens escrito nada no blogue... - Dizem-me.
É verdade. E o blogue? A culpa é do facebook e da página oficial, e dos gadgets com câmaras fantásticas, a cujas fotografias acrescentamos legendas que acabam por servir de mini-diários. Truques e partilhas que levam tudo.
Até que ponto faz sentido manter um blogue generalista nos dias de hoje?
Só para dizermos que temos um blogue? Será que acrescenta alguma coisa aos dias de alguém?
Pergunto-me.
Visitas: 133 341 - estagnado nas cento e trinta e tal mil há demasiado tempo, como a leitura de um livro que não avança, paralisada na mesma página, em desamor.
Talvez o ano novo sirva de pretexto para lhe restaurar a vida.
Talvez a mensagem de hoje seja já isso mesmo, um pedido de desculpas, a tentativa de lhe retirar a pó e as teias de aranha. E depois há umas poucas almas - muito poucas - que não têm conta no facebook.
São essas pessoas que me perguntam:
Então e o blogue?
Talvez precise de um desafio, um tema, um qualquer projecto, como a Julie que deu origem ao filme maravilhoso que revi pela enésima vez, "Julie & Julia".

sábado, 3 de dezembro de 2016

Adeus, Luísa

ASAS - de Maria Luísa Baptista
É no teu corpo que invento
Asas para o sofrimento
Que escorre do meu cansaço.
Só quem ama tem razão
Para entender a emoção
Que me dás no teu abraço.
Eu quero lançar raízes
E viver dias felizes
Na outra margem da vida.
Solta os cabelos ao vento,
Muda em riso esse lamento,
Apressemos a partida.
Aceita o meu desafio,
Embarca neste navio,
Rumo ao sonho e ao futuro.
Corta comigo as amarras
Que nos prendem como garras
A um passado tão duro.
Esquece o tempo e a dor,
Pensa só no nosso amor,
Vem, dá-me a tua mão.
Sobe comigo a encosta,
Porque quando a gente gosta
Ninguém cala o coração.
Despedimo-nos hoje da nossa querida amiga Maria Luísa, que gostava de escrever versos para fado, muitos dos quais ficaram muito bem entregues na voz da Katia Guerreiro, com quem tinha uma relação maternal e de grande amizade. Nunca esquecerei esse momento, a Katia junto do caixão, cantando Asas, mais uma vez, com uma voz que lhe nascia da dor. Adeus, querida Luísa. Um abraço forte ao nosso amigo João.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Black Coffee

Só para contrariar e fugir à febre do Black Coffee, que já não se aguenta. E porque todos são bons pretextos para ouvir esta senhora cantar.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

contos de Natal

Nem sempre os pinheiros são verdes
Poética Edições
Vários autores

A Poética Edições, na pessoa da Virgínia do Carmo, desafiou-me a mim e a alguns dos seus autores a escrever um conto de Natal. A edição resultou num livro escrito a várias vozes, com timbres muito diversos, que vão do registo mais clássico ao mais transgressor, pois....nem todos os pinheiros são verdes. A capa é uma pintura original a óleo, realizada por Lídia Borges, uma das autoras na presente edição. É com grande prazer que me vejo incluída nesta antologia, cujo lançamento acontecerá no próximo Sábado, em Lisboa, e que em breve estará à venda nas livrarias Férin, Ler Devagar e Pó dos Livros, em Lisboa, além de poder ser encomendado online, na loja virtual da Poética Edições, da Bertrand, Sítio do Livro e Wook

domingo, 20 de novembro de 2016

Camus em tempo de chuva

 Imagem relacionada

«Mersault continuava a traduzir "vegetables, vegetables", de olhos postos no candeeiro, com o abat-jour de cartão verde plissado. Tinha em frente dele um calendário de cores garridas que representava "O perdão dos Terra-Novas". Sobre a mesa, alinhavam-se a esponja para os selos, o mata-borrão, o tinteiro e a régua. Das janelas podiam ver-se enormes pilhas de toros de madeira trazidos da Noruega por cargueiros pintados de branco e de amarelo. Apurou o ouvido. Do lado de lá daquela parede, a vida respirava a grandes golfadas, surdas e profundas, sobre o mar e o porto. Tão longe e, ao mesmo tempo, tão perto...»
(Albert Camus, in "A Morte Feliz", p.54, obra póstuma, a partir de manuscritos e notas que antecederam "O estrangeiro").


segunda-feira, 24 de outubro de 2016

sábado, 15 de outubro de 2016

Até quando?

Em arrumações no meu escritório minúsculo, e que mais minúsculo se torna dada a minha dificuldade em mantê-lo arrumado e em deitar fora o que pode ir fora, dou conta de que, graças às novas tecnologias e, em especial, ao recurso à Internet, muitos objectos se tornaram obsoletos. Refiro-me, por exemplo, às gramáticas e aos dicionários - português-inglês, inglês-português, francês, espanhol, latim, sinónimos, provérbios...

Os meus olhos assustam-se ao vê-los, não vá eu precisar deles debruçados nas folhas de papel amarelecido e nas letras tão pequeninas que preenchem as páginas daqueles livros malditos. Sabem-se incapazes dessa aventura antiga; só de lupa e mesmo assim. Imploram-me, por favor, dicionários desses nem vê-los, por favor! 
E têm toda a razão, os meus olhos. 
Para quê estes cartapácios pesados e poeirentos, que ocupam espaço precioso, quando as respostas às nossas perguntas se encontram ao alcance de meia dúzia de cliques? Um Google Tradutor, que despacha num segundo, embora falível, um pequeno texto ou uma frase? 
Por brincadeira, ao escrever isto abro o Google e experimento. De inglês para sueco, já que o Bob Dylan ontem ganhou o Nobel da Literatura:
The answer my friend
Is blowing in the wind

E ele escreve a resposta quase simultaneamente, sem que eu faça o mínimo esforço:

svaret, min vän blåser i vinden, Svaret blåser i vinden

Não há competição possível.
Por isso sei que mais dia menos dia terei de me desfazer dos velhos dicionários. Aqueles que ainda levam a assinatura do meu pai, com o seu nome completo e a data, ou a minha, mais tarde, com letra de adolescente, ou ainda os comprados até 2002, pouco antes de o Google e a Wikipedia entrarem pelas nossas casas transformando-nos, aos poucos, em preguiçosos. 
Um dia. 
Para já, ficaram fechados no armário, a roubar espaço também precioso. Para as estantes, apenas a literatura. E essa, até quando a guardaremos nas nossas estantes?

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Nobel da literatura para....

Bob Dylan:
«Por ter criado novas formas de expressão poéticas no quadro da grande tradição da música americana»



segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Afonso Cruz

Como Afonso Cruz é o vencedor do Prémio Fernando Namora, no valor de 15 mil euros, aqui fica uma entrevista dada quando o livro «Flores» saiu, para que fiquemos a conhecê-lo um pouco melhor.

Flores é uma tentativa de passar ao próximo nível? Chegar ao público só com palavras?
Inicialmente era para ter fotografias. Mas depois achei que não era muito pertinente e acabei por abandonar a ideia. E também porque às vezes me sinto aborrecido com as coisas que faço, quero mudar, quero fazer uma coisa diferente e, neste caso, quis experimentar sem bonecos [risos]. O livro conta a história de um homem que perde as suas memórias afetivas, aquelas que são mais caras. Tem um vizinho jornalista que decide recuperar essas memórias, entrevistando as pessoas que tiveram contacto com ele. E tenta reconstruir-lhe a memória de uma maneira artificial mas de modo a que ele tenha algum passado. São duas personagens um pouco antagónicas: a personagem que perdeu a memória, apesar de tudo, tem uma relação muito forte com a tragédia, com a injustiça social, com os grandes valores. Ao passo que o narrador, esta pessoa que irá recuperar a memória do outro, vive mais ou menos anestesiada na sua rotina e, apesar de ter a memória intacta fisicamente, a verdade é que há muitas coisas que funcionam como se não se lembrasse, como se não existissem, porque são invisíveis para ele. Não tem qualquer relação com elas. É um pouco o que nos acontece no Facebook dois ou três minutos depois de uma notícia aparecer. Vemos, vamos às nossas vidas, já acabou o tempo da indignação. Conservamos poucas memórias? Temos esta dessensibilização em relação às coisas que nos afetam diariamente e à injustiça diária. Vamos ganhando uma capa que vai tornando algumas pessoas invisíveis. Esse é um problema. Este constante trabalho da memória é essencial, voltar a recordar determinadas coisas é imprescindível. Não quer dizer que funcione. É também essa uma parte do papel do escritor: portador de memória? É um assunto polémico. Há muitos escritores para quem o único dever que têm é o da liberdade. Precisam de ser sinceros apenas com aquilo que são e, se sentem necessidade de ter um papel social nos seus livros, fazem-no. Estive num evento sui generis na Hungria, fechado ao público, só para escritores. Metade de nós seria provavelmente da Europa Ocidental e a outra metade da Central e de Leste. A maior parte dos da Europa Central e Ocidental defendia a liberdade criativa, o que talvez tenha a ver com a sua história: mais anos em liberdade, em regimes mais livres. Os de Leste, pelo contrário, sentiam uma motivação social mais forte, confessavam-se obrigados, de certa maneira, a ter um papel interventivo na sociedade enquanto escritores. Porque, enquanto cidadãos, toda a gente concorda que devem ter o seu papel. Pessoalmente, acho que as duas coisas são corretas. Um escritor deve ser honesto. No entanto, também acho que um escritor não é só um cidadão como os outros. Não é que seja melhor ou pior, mas tem mais responsabilidade do que a maior parte dos outros cidadãos. Tem uma arma, uma ferramenta que o faz chegar a mais pessoas. Muito mais alcance. E tem de tomar consciência disso. Pode não usar, mas é uma pena que tenha essa arma e não a use. É um faz-tudo: escritor, ilustrador, músico, cineasta. Isto é uma tentativa de chegar a toda a gente, seja de que maneira for? Não, não é uma tentativa porque nunca planeei a maior parte das coisas que fiz ou que faço. Quando era criança queria fazer banda desenhada e eu nunca fiz banda desenhada na vida. Ainda. Não quer dizer que não venha a fazer, tenho muita vontade de um dia experimentar. Mas nunca pensei em fazer nada destas coisas, não era uma ambição de criança. Surgiram de uma maneira mais ou menos circunstancial: gostava muito de música e quis aprender a tocar um instrumento apesar de nunca ter sido incentivado a fazê-lo. Pelo contrário… Sempre me disseram que era duro de ouvido, que não tinha jeito. Mas insisti, comprei uma guitarra, estraguei muitos discos a tentar imitar os guitarristas de quem gostava. Fui aprendendo. Mais tarde, comecei a trabalhar em animação porque quis comprar uma mota. Os meus pais não me davam dinheiro, eu decidi procurar um emprego e foi o primeiro que apareceu. Depois comecei a gostar muito de animação, dediquei-me imenso e acabei por esquecer a mota. Acabou por se tornar uma carreira que nunca tinha pensado para mim. Tenho e sempre tive uma grande curiosidade – que tem a ver também com independência: se eu gosto muito de uma coisa, quero saber como se faz. Se eu quero compreender o Homem, quero saber como ele é por dentro, sem os acessórios todos. Eu gosto de beber cerveja, quero saber como se faz. Gosto de pão, quero aprender a fazer. Tenho essa vontade de desmontar e ver as entranhas para saber como funciona. “Voltar a recordar determinadas coisas é imprescindível.” Começou a escrever por gostar de ler. Nesse caso há acaso?
Estava numa agência de publicidade, tinham-me convidado para redator e, pela primeira vez, estava a trabalhar com palavras e não com imagens: era uma novidade para mim. No tempo livre, porque tinha algum, comecei a escrever para um blogue privado onde só chateava os amigos. Percebi que tinha uma quantidade razoável de textos que talvez pudessem dar um livro. Tinha reunido esses textos sob um conceito, uma Enciclopédia da Estória Universal fictícia. Na altura, enviei para a Bertrand e tive a sorte de a editora, a Lúcia, ter gostado muito dos textos e os ter querido publicar. Se calhar, se ela não quisesse, eu não seria escritor. Nessa altura procurou escrever mais histórias e passou a pensar em projetos mais estruturados?
A partir daí senti que era capaz e que gostava muito de escrever. A escrita passou a fazer parte da minha vida. Então não estranhou ver o seu nome em capas de livros e em montras de livrarias.
Foi estranho o suficiente. Lembro-me de estar muito nervoso quando o meu primeiro livro foi publicado. Nessa altura vivia no Magoito, junto à praia, numa casa provisória, e senti necessidade de caminhar, de gastar aquela adrenalina. Era um acontecimento, uma coisa estranhíssima na minha vida. Alguma vez tinha pensado que podia ser escritor? Nunca pensei em ser escritor. Mas creio que o grande combustível, a grande matéria-prima para depois escrever, foi gostar muito de ler, ter lido bastante durante toda a minha vida e ter tido um contacto frequente com os livros. Leio diariamente desde que me lembro de ser gente. E hoje sinto-me quase incapaz de escrever se não ler. Ler faz parte da rotina de escrita? Normalmente, antes de começar a escrever, passo umas horas a ler. Depois paro e, mais à noite, quando os meus filhos estão a dormir e tenho mais silêncio, posso concentrar-me totalmente no que estou a fazer, e então escrevo. Mas essa nutrição diária de leitura é para mim essencial para depois conseguir escrever. E até ter ideias. Se bem que as ideias hoje surgem em qualquer circunstância. Mas também quando estamos a ler. Mudou-se para o Alentejo há quatro anos. Foi à procura de novas ideias? A certa altura, ou se calhar desde sempre, imaginava que seria feliz vivendo no campo. Quando tive oportunidade de trabalhar fora de Lisboa, decidi comprar um monte alentejano que também me permitiria reduzir em muito o meu orçamento. A verdade é que, inicialmente, eu nem sequer estava a pensar no Alentejo: pensei em estar fora de Lisboa. O Alentejo tem essa coisa de ser tudo mais harmonioso, mais uniforme. É muito reconhecível. Eu percebi que o interior era muito mais barato que o litoral e acabei por comprar especificamente ali por isso. Portanto, estou a hora e meia de Lisboa. “Sinto-me quase incapaz de escrever se não ler” Escrever implica esse recolhimento, essa distância? Não creio que haja esse quesito, eu gosto de algum silêncio mas isso é possível em qualquer lugar. Agora, como viajo muito, estou muito habituado a escrever em aviões. Não creio que seja uma necessidade. Por vezes chega a ser contraproducente quando pensamos assim, porque tantas vezes na nossa vida não fazemos as coisas porque estamos à espera das circunstâncias ideais para o fazer. Não preciso de ter vacas a passarem à minha janela para escrever um livro. E também não me inspira mais nem menos, nem faz de ninguém génio, ver ou viver com galinhas. Viver longe da cidade não é propriamente uma mais-valia. Só no sentido de que me sinto feliz no campo. E se estivermos num lugar onde nos sentimos bem, talvez consigamos ser mais produtivos. O que eu acho essencial para as pessoas escreverem é escreverem. Parece uma coisa óbvia mas não é assim tanto, porque muitas vezes vamos adiando, à espera desse momento perfeito que nunca teremos. O tempo para escrever exige uma disciplina? Tem alguma rotina? Algumas, mas quebro-as com muita frequência. Normalmente dedico as manhãs a fazer telefonemas e a responder a e-mails – aquilo a que chamo secretariado. À tarde leio e à noite escrevo, porque consigo ter um maior isolamento. Até muito tarde? Depende de como me sinto, de como as coisas estão a fluir, por um lado. Por outro, depende dos prazos: se por acaso tiver de escrever, tenho mesmo de ficar até muito tarde para entregar. Pode ser até às duas, três, quatro da manhã. E isso compromete a sua manhã de secretariado? Não, porque acordo cedo, quando os meus filhos acordam. Depois, à tarde, se for possível, durmo uma sesta para repor parte do sono. Se puder dormir uma power nap de pelo menos meia hora, sabe-me bem. Escreve à mão ou ao computador? Ao computador. Inicialmente tinha sempre um bloco comigo onde anotava quase tudo, a caneta. Aos poucos fui-me habituando a um iPod, escrevi o primeiro esboço de Jesus Cristo Bebia Cerveja todo nesse iPod. Este último romance escrevi-o no iPad. Passo muito tempo a viajar e dá-me muito mais jeito porque, quando escrevo as notas no telefone, ficam acessíveis logo no computador e consigo organizá-las muito mais facilmente. Ajuda-me a estruturar o romance. Lê o que escreve no mesmo dia ou só no dia seguinte? Leio sempre o que escrevo, releio, releio e releio. É um trabalho exaustivo e diário. E até quando tenho de interromper um livro para fazer uma crónica, uma ilustração, o que for, de repente saio de dentro desse livro e demoro tempo a voltar, já não tenho as coisas tão frescas na memória. Quando regresso tenho de ler, reler e voltar a entrar na história, imbuir-me das personagens, voltar a ensopar-me nas suas ideias. Qual seria o auge da sua carreira enquanto escritor? Espero nunca chegar lá. Acho que a nossa vida deve ser tomada como um desafio, tentamos fazer melhor e ser mais competentes, mais capazes. A necessidade de escrever implica uma superação. Não tenho essa ideia profissional de começar a escrever às oito e acabar às cinco e só estou a escrever para viver. Não é isso. Escrevo por paixão e há sempre essa superação evidente nas coisas que quero fazer. Não quer dizer que faça sempre melhor, isso cabe aos críticos decidirem. Mas que tento, tento. E é isso que me motiva a fazer.
(Entrevista de Mariana de Araújo Barbosa a Afonso Cruz, revista Estante, 27 Outubro 2015)



sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Cristina Carvalho

O carteiro veio entregar-nos hoje dois exemplares do novo livro de Cristina Carvalho, cujas fotografias são do Nanã.
Prós: a edição é um mimo, um pequeno livro que decerto irá parar ao PNL, pois tem todos os ingredientes para se recomendar aos jovens leitores, que devem conhecer o que a Tapada de Mafra tem para oferecer.
Contra: conhecendo eu as fotografias originais (por razões óbvias, já que o Nanã Sousa Dias é o meu marido), é lamentável que algumas delas tenham perdido grande parte da qualidade, ficando demasiado escuras, comprometendo a definição e os pormenores presentes na versão original, em especial a da autora, no fim (demasiado escura) e a da lua cheia, que tinha um céu de estrelas maravilhoso, e em cuja impressão se vê apenas a lua...em fundo negro.
Além das fotografias tiradas pelo Nanã e as bonitas ilustrações de Teodora Boneva, em desenho científico, traz no fim, depois dos Agradecimentos, sete páginas preparadas para desenho e notas, no âmbito de uma visita à Tapada. Muitos parabéns à Cristina e à Sextante por este livro.
Conheça a obra aqui

sábado, 17 de setembro de 2016

Felicidade

Em 2005 perguntei a uma grande amiga qual seria considerado o melhor livro de auto-ajuda: queria oferecê-lo a uma pessoa especial que estava muito em baixo na altura. Comprei-o, li-o num instante (é pequenino, um pequeno mimo) e regressei à livraria para comprar mais uns quantos exemplares, que ofereci (custava apenas 5 euros, a minha felicidade começou logo ali).
Aqui está ele: "Heitor ou a procura da felicidade", de François Lelord (2002), ele próprio psiquiatra, tal como o seu protagonista.
Wook.pt - A Viagem de Heitor ou a Procura da Felicidade
No site da Wook
Não posso deixar de pensar que o livro saído em 2006 de Elisabeth Gilbert, "Comer, Orar, Amar" foi, sem dúvida, inspirado neste; quanto mais não seja a decisão da autora de partir em viagem em busca do seu próprio equilíbrio, já que é também bastante autobiográfico. No entanto, este é muito menos conhecido e é o genuíno. A edição está esgotada, infelizmente. Entretanto a Lua de Papel (Grupo Leya) reeditou-o em 2011...e custa agora 13.50.
Esta noite vi na box (Cinemundo, passou na 4ª feira) a adaptação ao cinema. Vale a pena ver. Um filme  divertido, que nos inspira ternura e...nos inspira.
Aqui fica o trailer


domingo, 11 de setembro de 2016

Qualidade devida



Já lá vão 15 anos sobre um dia muito triste da história mundial e eu aqui, num dos recantos mais pacíficos do planeta, a viver um dia bom, com paz de sobra, que de bom grado cederia a quem precisa, uma fatia ou duas e ainda sobrava. 
A companhia dos cães, dos pássaros, das árvores, num dia que amanheceu cinzento e que abriu, a revelar-nos o azul que é seu, até anoitecer. 


Atravessei o pequeno pinhal até à casa dos vizinhos, que me ajudaram a concluir o presente para os 90 anos de idade da minha avó, segunda mulher do meu avô; depois de muito riso, muitos carinhos em dois dos quatro cães que estão sempre junto de nós, descemos ao pomar, à caça de figos maduros. 

Regresso com um envelope A4 e uma cesta de figos, além de um par de maçãs e de frascos com doce caseiro. 


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Telefono ao meu filho, só para saber, e sei que está bem. No final desta tarde perfeita sento-me sob a pérgula, entregue à leitura de algumas páginas de um livro de contos de Selma Lagerlöf: a lua já se recorta no manto celeste, um copo de vinho branco e a companhia dos meus próprios cães. 



Jantei uma coisa qualquer, que é o que as mulheres normalmente fazem na ausência dos homens, e sinto a gratidão de viver dias assim. A paz,  a amizade e a qualidade de vida, bens essenciais que não deveriam ser um privilégio de alguns mas algo ao alcance de todos. Precisamos de paz em cada canto.
Dedico este pequeno texto aos meus queridos amigos e vizinhos Bé e Zé Manel.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

A Surpresa

("De Surprise", no original, 2015). A ver. Um argumento multilingue, com actores que nos são desconhecidos (para variar, vá), excelente fotografia e banda sonora, boa história, boa energia, divertido, apesar de andar em torno do...suicídio! Pois é. A passar no canal Cine Mundo.
Curiosidade: os produtores e o realizador procuravam uma actriz mais nova e ainda bem que escolheram Georgina Verbaan, um dos elementos mais encantadores do filme.
Para mais info, clique aqui

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Disconnect

Ontem ao serão vi "Desligados" ("Disconnect", 2012). Um drama que relata os efeitos das redes sociais e a forma como afectam a nossa vida. Ou podem afectar. Pouco ou nada tem de trivial, do que seria espectável, num tema como este. Muito bom, recomendo.
Para mais informação, vá aqui

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Luz de Setembro

Cá estou, a 24h de entregar mais um livro com revisão de texto da minha lavra, e que tantas horas me tem roubado. O verão passou ao largo, mal chegará para um abraço. Resta estender as mãos ao Outono que aí vem, uma estação cheia de encantos, se nos deixarmos seduzir.

O que irá trazer-nos este mês de Setembro, na liquidez da sua luz dourada?

© Nanã Sousa Dias